SONHANDO COM A REALIDADE.
Já se passavam quinze horas daquela Terça-feira de outubro. A tarde estava nublada, não havia sol. O tempo abafado inspirava vestimentas mais leves e bebidas mais frias. Era a mais atípica primavera, que mostrava sua face doce e quente.
Eu havia pensado nela hoje. Havia, até, lhe enviado uns versos dissonantes. Porém, não esperava vê-la tão cedo.
Seu caminhar suave, não indicava sua chegada, somente o ranger da porta, se abrindo, a denunciou. Seus olhos, meigos, percorreram a sala e evitaram os meus. Seu sorriso era como um farol, naquela tarde sombria. Seus cabelos, longos, presos, em forma de coque, desnudavam seu lindo pescoço e sua nuca.
Uma camiseta de malha encobria suas formas juvenis e uma bermuda de coton lhe moldava os quadris e coxas.
Sua voz, melodiosa, doce, preencheu o ambiente e alegrou meu coração.
Em um breve instante, tentei tocá-la, mas sua passagem por mim foi tão rápida que só percebi o seu perfume pelo ar.
Quis buscá-la, tentei chamá-la... Clamei aos presentes que me indicassem um caminho, porém, não me fiz perceber (não tanto quanto ela). E ela se foi... Deixando-me ali, em meio a outros, mas sozinho.
Ergui-me, tentei encontrar algum resquício de sua presença... Corri até a porta, encontrei uma rua vazia e escura. Não havia viva alma que pudesse orientar a minha busca. Chorei, gritei e, por fim, dormi.
Num sonho, lindo, eu a encontrei e desejei, deste sonho, nunca mais acordar.
Finalmente a manhã chegou, meu corpo doía, mais minha alma estava leve. Afinal, seu beijo não me é possível em realidade, mas em sonho, ele é tão doce quanto imaginei.
Já se passavam quinze horas daquela Terça-feira de outubro. A tarde estava nublada, não havia sol. O tempo abafado inspirava vestimentas mais leves e bebidas mais frias. Era a mais atípica primavera, que mostrava sua face doce e quente.
Eu havia pensado nela hoje. Havia, até, lhe enviado uns versos dissonantes. Porém, não esperava vê-la tão cedo.
Seu caminhar suave, não indicava sua chegada, somente o ranger da porta, se abrindo, a denunciou. Seus olhos, meigos, percorreram a sala e evitaram os meus. Seu sorriso era como um farol, naquela tarde sombria. Seus cabelos, longos, presos, em forma de coque, desnudavam seu lindo pescoço e sua nuca.
Uma camiseta de malha encobria suas formas juvenis e uma bermuda de coton lhe moldava os quadris e coxas.
Sua voz, melodiosa, doce, preencheu o ambiente e alegrou meu coração.
Em um breve instante, tentei tocá-la, mas sua passagem por mim foi tão rápida que só percebi o seu perfume pelo ar.
Quis buscá-la, tentei chamá-la... Clamei aos presentes que me indicassem um caminho, porém, não me fiz perceber (não tanto quanto ela). E ela se foi... Deixando-me ali, em meio a outros, mas sozinho.
Ergui-me, tentei encontrar algum resquício de sua presença... Corri até a porta, encontrei uma rua vazia e escura. Não havia viva alma que pudesse orientar a minha busca. Chorei, gritei e, por fim, dormi.
Num sonho, lindo, eu a encontrei e desejei, deste sonho, nunca mais acordar.
Finalmente a manhã chegou, meu corpo doía, mais minha alma estava leve. Afinal, seu beijo não me é possível em realidade, mas em sonho, ele é tão doce quanto imaginei.
Outubro de 1991.
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