domingo, 30 de março de 2008

ALTO ANÁLISE.

ALTO ANÁLISE.

Um poeta de rua, busca um sonho. Vaga pelas praças. Trilha caminhos perdidos. Voa sobre prédios e casas. Navega pelos rios, lagos e mares. Enfrenta o tempo, ... o vento. Seca oceanos. Alaga desertos. Faz, do mundo, um roteiro perdido.
Um poeta de rua, constrói sua realidade. Edifica desejos. Molda vontades. Cria paixões. Planeja devaneios. Transforma o porvir. Modifica o certo. Recria o incerto. Faz, da vida, uma alegria sofrida.
Um poeta de rua, destrói seu próprio ego. Imagina o inimaginável. Busca o inalcançável. Pensa o impensável. Luta uma guerra perdida. Ama o indevido e deve à quem o ama. Carrega o peso de sí próprio, sem saber de sua força. Degrada seu corpo em prol da inspiração buscada. Lamenta suas vitórias e festeja as derrotas. Tranca-se em seu mundo e se torna prisioneiro de sí mesmo. Lança seus olhos ao infinito, mas se prende aos limites (auto-impostos). Faz de seu dom, sua maldição.
Um poeta de rua, é um tolo que sonha em ser um poeta do povo.
Março de 2002.

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