CARTA À VOCÊ.
Gostaria de andar pelas ruas e sorrir para quem passasse, saudar meus amigos, piscar para as garotas, cantar com os pássaros e sonhar como as crianças. Gostaria de voltar meus olhos para trás e rever a estrada que há muito venho percorrendo, ver aqueles que não vejo mais, ver os amores passados e os sofrimentos vencidos. Mas acima de tudo, desejaria estar com você, na rua, na escola, no campo e em todo lugar. Queria beijá-la, tocar seus cabelos, apertá-la em meu peito e, tão somente, tê-la como companheira.
Quem sabe, um dia, isso aconteça, talvez eu mereça, talvez não. Mas se nada disso vier a acontecer, mesmo que eu permaneça na situação que me encontro, valeria a pena passar por tudo que passo.
“Valer-me-ia o simples fato de querê-la bem.”
“Não sei o quanto meus sentimentos são sóbrios e nem a sua longevidade, mas creio que eles existem graças à sua presença ‘silenciosa’ maculando meu Ego.”
Perdoe-me se minha mão e meu ‘Cinzel a tinta’ dizem mais que meus lábios.
Perdoe-me se minha coragem é pouca e me impede de assumir esta paixão.
Perdoe-me por existir.
Abril de 1990.
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