domingo, 30 de março de 2008

BEIRA MAR.

BEIRA MAR.

É quase verão e, mais uma vez, meu coração, este moleque travesso, se confunde, se atrapalha e se desmancha frente à duas musas da Grécia Antiga. Deusas de terras e tempos distantes. Ninfas míticas.
A primeira, mais madura, bela, aparentemente carente. Vivendo das glórias passadas.
A Segunda, jovem em demasia, de uma cabeça não apenas linda, mas admirável e de grandes méritos.
Ambas de atrativos diversos e distintos, mas de mesmo sangue divinal. Sereias nos meus mares de sonhos, estrelas no céu de minh’alma. Flor e espinho. Faces de uma mesma moeda.
Nas ruínas do passado, onde está meu coração, residem seus nomes, fragmentados pelo tempo, mas ainda vivos na memória deste devoto sonhador : Bernadeth e Margareth.

1990.

AFLIÇÃO.

AFLIÇÃO.

E lá vou eu, novamente, em minha busca, infindável, de inspiração para meus escritos. Gostaria de poder transformar cada pensamento, meu, em palavras e não encontrar limitações para meus devaneios.
Quem me dera poder descrever, só com palavras, o sorriso de uma adolescente e o olhar de uma jovem apaixonada. Transformar em versos o riso de uma criança e o suspiro de prazer da mulher madura. Fazer rimas com beijos, lágrimas e queijos.
Porém, escrever não é uma questão de querer, mas sim de poder.
Nem sempre se está em condições para isso. É necessário que a inspiração seja uma constante em cada momento vivido. É necessário ter a musa certa e a paixão insana. É preciso se entregar à poesia e deixá-la fluir pelas veias.
1990.

CARTA À VOCÊ.



CARTA À VOCÊ.

Gostaria de andar pelas ruas e sorrir para quem passasse, saudar meus amigos, piscar para as garotas, cantar com os pássaros e sonhar como as crianças. Gostaria de voltar meus olhos para trás e rever a estrada que há muito venho percorrendo, ver aqueles que não vejo mais, ver os amores passados e os sofrimentos vencidos. Mas acima de tudo, desejaria estar com você, na rua, na escola, no campo e em todo lugar. Queria beijá-la, tocar seus cabelos, apertá-la em meu peito e, tão somente, tê-la como companheira.
Quem sabe, um dia, isso aconteça, talvez eu mereça, talvez não. Mas se nada disso vier a acontecer, mesmo que eu permaneça na situação que me encontro, valeria a pena passar por tudo que passo.
“Valer-me-ia o simples fato de querê-la bem.”
“Não sei o quanto meus sentimentos são sóbrios e nem a sua longevidade, mas creio que eles existem graças à sua presença ‘silenciosa’ maculando meu Ego.”
Perdoe-me se minha mão e meu ‘Cinzel a tinta’ dizem mais que meus lábios.
Perdoe-me se minha coragem é pouca e me impede de assumir esta paixão.
Perdoe-me por existir.
Abril de 1990.

DOMINADO.

DOMINADO.

Toda paixão é infinitamente boa quando a dominamos e extremamente má quando nos domina.

* Abril de 1990.

UM SONHO DE FAMÍLIA.

UM SONHO DE FAMÍLIA.

Penetrei no mundo dos sonhos para poder escrever algo além da minha paixão refreada, encontrei um menino que me convidou a passear. Ele era moreninho, de olhos castanhos e de cabelos negros. Me lembrava alguém.
Começamos o nosso passeio em 1973, no dia 22 de novembro, às 16 horas. Estávamos em São Paulo, na maternidade de um hospital no bairro do Cambuci. Eu me vi nascer. Eu não sabia que havia sido tão chorão e chorei com o meu pequeno “eu”.
Seguimos nossa viagem em direção ao ano de 1977. Era o dia 22 de setembro. Vi meus pais chorando, era a alegria do nascimento da pequena Patrícia. Porém, esta alegria duro pouco e sete dias depois a pequena Patrícia Márcia dos Reis, veio a falecer. Novamente, vi minha família chorar e chorei com eles.
Continuamos nossa viagem em 1978. No dia 08 de outubro, uma nova criança nasce. Após tanto tempo de tristeza, a redonda Janaina, trouxe a alegria de volta à nossa casa e de emoção eu chorei.
Entramos em 1979 já ouvindo choros. Eram berros desesperados da pequena Janaina, que tinha seu braço em chamas, e os resmungos do pequeno “eu”, querendo dormir, enquanto todos tentavam acalmar o bebê. Chorei ao ver tamanho sofrimento.
Com todos esses acontecimentos revividos, o menino parecia invariável, só o vi chorar quando chegamos à 1990. Nós me vimos cabisbaixo, quieto, triste e voador. Me vimos delirar por alguém que parecia morar em um mundo totalmente ao inverso do meu e que estava tão próxima e tão inalcansável.
Observamos o dia em que tentei tocar seus cabelos e, como bom palhaço, derrubei meu material escolar e não consegui. O menino riu e depois voltou a emburrar-se.
Então, resolvi perguntar-lhe o nome e, categoricamente, ele me respondeu :
- BETO.
Neste momento, despertei.

Agosto de 1990.

FESTA DE QUINZE ANOS.

FESTA DE QUINZE ANOS.

Acho que já tinha idade suficiente para notar a intensa movimentação em minha casa; gente pra todo lado, garrafas entrando, batatas se precipitando nas panelas, farinha voando para um lado, ovos para o outro e gente que não acabava mais. Enquanto isso eu só esperava por ela. Não conseguia parar de pensar em como ela viria; “Será que ela viria a pé, a cavalo, de táxi? Talvez nem viesse... Não, ela teria de vir, pois há tempos que a venho convidando.”
Enquanto esperava, vi que um bolo se colocava sobre a mesa da copa e, sobre ele, duas velas folgadas se deitaram para descansar antes do trabalho. A primeira vela era magra como um palito e tinha um nariz como de tucano. A segunda era muito esquisita, tinha um penteado meio estranho, o cabelo era todo jogado para trás, o pescoço era longo e tinha um grande traseiro. E eu a esperava impaciente.
Chegou a hora há muito esperada, a porta da casa se esquivava para que pessoa alguma, nela colidisse e todos que entravam faziam questão de pegar em minhas mãos. E ela nada de chegar.
Alguém colocou umas músicas e eu esperava.
De repente, as lâmpadas e o aparelho de som resolveram fazer greve e as pessoas começaram a cantar e a atirar, rapidamente, uma mão contra a outra. E ela não chegava.
Alguns convidados me acharam com cara de carregador ou garoto de entregas e depositaram, sobre meus braços, pacotes de diversos tamanhos e formas e ela... nada.
Já estava cansado de esperar, quando houve uma evacuação total de minha casa. Eu pensei : “Será que eu fiz o que não devia?” Coloquei meu olfato para funcionar : “Não, eu não fiz.”
Então fui para o meu quarto sem saber o que fazer. Pensei em dormir, mas os pacotes já estavam acomodados na ama. Me virei para o espelho... e qual não foi a minha surpresa ao reparar alguns pelotinhos em meu rosto e bem abaixo da boca, um fiozinho negro. Então descobri que ela havia, finalmente, chegado : “A Juventude havia chegado e eu nem havia notado.”

Obs. : Crônica premiada com o 2º lugar – Concurso de Crônicas e Poesias em Comemoração aos 92 Anos de Fundação do Seminário Redentorista Santo Afonso de Aparecida – SP – Na Categoria CRÔNICA.
Agosto de 1990.

A OUTRA... A MESMA.

A OUTRA... A MESMA.

Aguardar o tempo, o melhor momento, para fazer visível, aquilo que povoa minha mente, aquilo que implode meu desejo.
Esperar que seus olhos, outrora voltados para o poente, vejam o nascente brilho de meus olhos.
Sonhar com o momento em que a coragem, que se encontra sepultada na desilusão, reviva em meu caricato ser.
Queria que a lágrima, rolada enquanto escrevia, viesse à lavar a minha alma. Retirando dela a macula, eterna, do desejo freqüente de te beijar.
Queria que o suspiro, sufocado pela traição, ecoasse pelas ruas e batesse em seu coração.
Queria ver meu verso, transformado em realidade, navegando pelas ondas do mar da felicidade.
Agosto de 1990.

IRMÃO FOGO.

IRMÃO FOGO.

Há muitos séculos que meus avós o adoram, você era jovem, mas já era mais velho que eles.
Crepitante, vagava pela terra, todos o temiam e você era respeitado e respeitador. Até que um dia, distante destes em que vivo, um ser chamado Homo-sapiens conseguiu lhe dominar.
Hoje, os netos do Homo-sapiens continuam lhe dominando, mas de forma muito diferente a de seus avós.
No passado, mesmo estando dominado, você foi feliz, pois o “Homo” o usava para suas necessidades, para se esquentar, se iluminar, se defender e amaciar os alimentos.
Hoje, a infelicidade lhe tomou, pois a “prole” maldita não o usa mais para suas necessidades; Mas, de uma forma caricata e fútil, usa-o para a destruição de um mundo que um dia o amou e que, agora, o amaldiçoa.
Mas, ainda posso consolá-lo, pois lembre-se de que “Você” é mais antigo que a vida e, apesar disso, ainda é jovem. Lembre-se que a “prole” maldita não é eterna e você ainda se verá livre de um mal que deveria ter sido um bem, livre de um ser capcioso que o usa, e usou, para destruir seus irmãos : A Terra e seus filhos, O Ar e a Água.
Um dia viveremos em paz.
1991.

AS MÃOS.

AS MÃOS.

Duas mãos me tocam no momento, a mão do desejo e a mão do dever.
A primeira, a mão do desejo, me puxa, me tenta, mexe e remexe. Ela é forte, grande, de dedos longos e grossos, de pulso firme e linhas profundas. É manhosa e conhece meus pontos fracos, é astuta e talha minha vontade. Tem um soco forte e uma bofetada violenta.
A segunda, a mão do dever, me prende, segura e não usa sentimentos, só razão. É persuasiva e convincente. Me prende a diversos deveres e valores morais, me impõe à responsabilidade. Ela julga meus atos, me condena..., me absolve. Esta mesma me proíbe e me dá temores, faz questionamentos e exige respostas. Em força, se iguala a mão do desejo.
Posso defini-las assim ; A primeira é a mão do coração, a segunda é a mão da razão e dividem um mesmo ser (eu) sem compaixão.

Obs.: Texto escrito em tempos de séria crise vocacional.
Fevereiro de 1991.

AINDA SOMOS UM POVO QUE SONHA?



AINDA SOMOS UM POVO QUE SONHA?

Quem pensa faz !
Quando nós, jovens, olhamos para o mundo que nos rodeia, constatamos que nosso povo, nossas famílias, não têm as mínimas condições possíveis para uma vida feliz e decente.
Paramos, pensamos e tentamos mudar esta cruel realidade. Porém, quando tentamos sozinhos, uma imensa fileira de demagogos vêm nos dizer que o que queremos não passa de uma doce utopia.
Mas, afinal, o que é utopia? Utopia é esperança, é desejo. Utopia é um querer acima de tudo, é aquilo que é possível. São os produtos do ser humano (algo que foi considerado impossível, mas foi realizado). Utopia é um desejo de futuro. Ex.: Namorados verdadeiros – Os jovens nesta situação, gostam de planejar o futuro. Pensam em sua casa, em seus filhos, netos, etc.... Sonhos, que mesmo distantes, são plausíveis, realizáveis desde que se queira.
Utopia é contestar tudo o que nos é mostrado e, tentar mudar, aquilo que não nos parece justo. É filosofar.
Como dizem os pensadores do nosso tempo ; “Filosofar é Utopizar a realidade.”
Ninguém quer desaparecer. O homem vive uma constante busca da imortalidade, ou de algo que possa prolongar um pouco mais sua vida. Neste sentido, diz-se que : “A morte é uma Utopia, pois, para nós, ela ainda não está presente. Porém, não se pode evitá-la.”
Utopia Latino-Americana : O que é tentar alcançar o impossível, numa região (de proporções continentais) em que as condições de vida são as piores do mundo? Qual será a utopia deste povo sofredor? Os desejos desse povo são simples, porém, não são os mesmos dos governantes. São sonhos de alimentação, moradia, educação, trabalho, saúde, dignidade e justiça. É uma luta constante para sobreviver, para preservar sua cultura, contra os neocolonialistas norte-americanos. É a busca de uma emancipação política plena, sem interferência dos imperialistas modernos (ou seja, força internacionais que tentam tomar o poder, incentivando o analfabetismo, a fome e outros males, em nome do progresso e da globalização).
E nós, brasileiros? Sob que realidade vivemos?
Nossa realidade é, simplesmente, gritante. Para todos os lados em que se olha, vê-se um quadro de desemprego, fome, analfabetismo, marginalidade, drogas e prostituição, pintando com o sangue e o suor dos mais pobres. Os Meios de Comunicação Social, são, hoje, os maiores colaboradores para que esta realidade não seja vista e, muito menos, mudada.
O verdadeiro cristão é um filosofo, sonhador, realista e positivista. Ele vê a realidade, utopiza e luta para mudá-la. Ele se revolta contra a passividade de seus semelhantes e busca uma forma mais justa e fraterna de vida para todos.
Porém, esta busca do melhor para si mesmo e para seus semelhantes, acarreta perigos : “Querer o melhor para si, é desfazer o pior... Porém, o pior é um ‘produto’ dos poderosos e, os poderosos, fazem do mal um bem para si.”
E nós? O que estamos fazendo para mudar a nossa realidade? Será que somos filósofos, ou simplesmente marionetes nas mãos dos poderosos?
Só nos unindo, é que poderemos mudar nossa realidade.
Carlos Roberto dos Reis
Coordenador do JUNAC.
Maio de 1991.

SONHANDO COM A REALIDADE

SONHANDO COM A REALIDADE.

Já se passavam quinze horas daquela Terça-feira de outubro. A tarde estava nublada, não havia sol. O tempo abafado inspirava vestimentas mais leves e bebidas mais frias. Era a mais atípica primavera, que mostrava sua face doce e quente.
Eu havia pensado nela hoje. Havia, até, lhe enviado uns versos dissonantes. Porém, não esperava vê-la tão cedo.
Seu caminhar suave, não indicava sua chegada, somente o ranger da porta, se abrindo, a denunciou. Seus olhos, meigos, percorreram a sala e evitaram os meus. Seu sorriso era como um farol, naquela tarde sombria. Seus cabelos, longos, presos, em forma de coque, desnudavam seu lindo pescoço e sua nuca.
Uma camiseta de malha encobria suas formas juvenis e uma bermuda de coton lhe moldava os quadris e coxas.
Sua voz, melodiosa, doce, preencheu o ambiente e alegrou meu coração.
Em um breve instante, tentei tocá-la, mas sua passagem por mim foi tão rápida que só percebi o seu perfume pelo ar.
Quis buscá-la, tentei chamá-la... Clamei aos presentes que me indicassem um caminho, porém, não me fiz perceber (não tanto quanto ela). E ela se foi... Deixando-me ali, em meio a outros, mas sozinho.
Ergui-me, tentei encontrar algum resquício de sua presença... Corri até a porta, encontrei uma rua vazia e escura. Não havia viva alma que pudesse orientar a minha busca. Chorei, gritei e, por fim, dormi.
Num sonho, lindo, eu a encontrei e desejei, deste sonho, nunca mais acordar.
Finalmente a manhã chegou, meu corpo doía, mais minha alma estava leve. Afinal, seu beijo não me é possível em realidade, mas em sonho, ele é tão doce quanto imaginei.
Outubro de 1991.

AO DEUS DO VINHO.

AO DEUS DO VINHO.

Prezado amigo Baco;

Sob a sua influência malévola, venho relatar-lhe minha mais recente desventura.
Como você sabe, inebriante amigo, há quase setenta dias que eu a beijei pela última vez e há trinta que não consigo falar com ela.
Há momentos em que, extasiado por estímulos alcoólicos, ainda posso sentir o gosto daquela boca e o cheiro daquele corpo. Porém, tudo é passageiro.
Se você acha que estou propenso a evitá-la, está totalmente correto. Mas não é apenas isso, tenho evitado tudo o que me lembre dela; Músicas, lugares, cheiros, gostos, sons e amigos em comum. O mais difícil, meu vil amigo, é evitar os amigos.
O bom senso me diz que devo estar sempre visitando os amigos e eu gosto muito deles, por isso, esporadicamente, eu o faço.
A única coisa que me incomoda, é quando estes amigos me perguntam se eu a esqueci. Instintivamente, eu respondo que sim e explico: Todos os dias eu acordo e me proponho a esquecê-la. Porém, o que eu sinto por ela é tão grande que não cabe mais em mim. Então, passados cinco minutos, eu torno a lembrá-la e o sentimento retorna mais forte do que antes.
É, velho amigo, se me pareço um tolo, tenha a certeza que é assim que me sinto. Olho-me no espelho e vejo uma leve sombra do que já fui.
Me sinto como Narciso, que se encantou por um “amor” ilusório e lapidal. Espelho-me em Heracles, condenado a suportar, em suas costas, o peso do mundo por toda eternidade.
Embriago-me para tentar controlar esta paixão. Queria poder mudar minhas reações e voltar a ser o que eu era. Gosto dela... É sentimento que eu não escolhi. Eu não quis isso para minha vida, mas aconteceu ! Foi um momento, de minha vida, que marcou um ponto de transição; De repente, eu descobri que poderia viver (mesmo que brevemente) um amor muito maior do que qualquer outro já vivido. Também, descobri que, por mais que tente, não consigo controlar o meu destino.
Alcoólico amigo, há uma frase que diz o seguinte : “Dá-me solamente aquilo que te sobra”. (Acredito que não precise traduzir.) E que, inconscientemente, tornei meu lema. Pode me chamar de capacho. Eu assumo minhas falhas... sempre.
Se eu pudesse fazer um pedido, pediria para voltar ao momento em que a beijei pela primeira vez, não para mudar o fiz, mas para poder reviver aquele breve momento de intensa paixão, de carinho supremo, de felicidade e ternura infinita. Gostaria de sentir, novamente, o calor daqueles lábios e o gosto daquela boca jovem e sensual. Sentir, outra vez, o abraço daquele corpo tenro e branco. E rever aquele doce olhar de menina... de mulher.
E, grande amigo, dizem que não há dor que o tempo não cure. Pois me dê a chave da “Caixa de Pandora” e permita que eu destrua a ampulheta universal que comanda nossas vidas.
Acredito que a culpa disso tudo seja, única e exclusivamente, minha. Afinal, eu não consegui ser bom o bastante para poder ter uma mulher, como ela, ao meu lado, ou para cativar os seus sentimentos.
Sei, hoje, que já não sou mais merecedor da atenção da minha amada. Não tenho direito de exigir nada... de ninguém.
Gostaria muito de falar com ela, novamente. Ouvir sua voz. Ver seus lindos olhos, de perto, outra vez. Sentir seu cheiro, sua respiração e seu calor. Porém, capcioso amigo, não me fiz digno o bastante para isso.
Só me resta, agora, a sua companhia, tosco amigo, em momentos de alucinada lucidez.
Obrigado por sua paciência e compreensão.
Amistosamente;

Água Corrente.
* 1992.

ALQUIMISTA.

ALQUIMISTA.

O poeta que pretende acabar com suas paixões, é como um alquimista, louco, que tenciona suprimir o fogo.
1992

LENINHA.

LENINHA.

Eu queria ser o dono da chave da paixão. Aquela que abriria, para mim, as portas do seu coração.
Queria ter, da lua, o brilho e do sol, o calor; Para iluminar suas noites e, nos dias, lhe dar meu calor (e meu amor).
Queria ser um poeta de renome e fama, talvez, assim, escreveria um poema que me pusesse em sua cama.
Queria ser apenas eu, poeta e cantor, para afogar-me em seus beijos e provar de seu amor.
1992.

RECORDAÇÕES.

RECORDAÇÕES.

Sempre joguei com emoções, com corações brinquei. Vaguei em corpos leitosos e no cume dos sonhos me deitei.
Alcei vôo sobre terras sem nomes. De repente, meus motores pararam, ventos emocionais me jogaram de um lado para outro e, trovões cardíacos, me assustaram. Nuvens de sonhos impediam a visibilidade e eu caí... caí diretamente na clareira de teus braços.
Inconsciente, repousei em teu seio.
Ao acordar, deparei-me com a presença sedutora de teus lábios nos meus. Tentei abraça-la, mas uma “barreira” se pôs entre nós.
Concluí meus reparos e, sem ter escolha, alcei vôo novamente, deixando para trás um amor que nunca tive, que nunca terei, levando comigo apenas o sabor de seu beijo.
1992.

FRAGMENTOS.


FRAGMENTOS.

Sonho :
Céu estrelado em noites claras. Mar de esperança. Vida além da realidade, vôo que nunca termina, vida e morte, dor e alegria, desilusão... paixão.

Eu :
Bobo da corte em mãos femininas, louco, filho da natureza, amigo do sol, parceiro das estrelas e amante da lua. Um tolo, em meio a tolos, que é apaixonado pela vida.

Morte :
O relógio da vida. O fim e o principio. Amiga da noite, irmã da vida, mãe da violência, namorada do medo, desejo de poucos, angustia de muitos. Razão. Inerência do homem. Ocaso da busca constante do homem.

Distância :
De longe parece alguma coisa, mas de perto, vê-se que não é nada.

Constatação :
É menos doloroso planejar o futuro do que olhar para o passado.

Destino :
Busca incessante de algo que já é nosso desde a concepção. Desejo desenfreado de moldá-lo à nossa vontade. Ânsia por torná-lo palpável e simples. Sonho que nunca se torna passado. Ser. Existir.

Amante :
Se ao olhar em meus olhos, vir um brilho, saiba que estou te amando. Mas, se esse brilho passar para os teus, saberemos que o sentimento é mútuo.

Lembrança :
Com os olhos, naveguei por teu rosto e na beleza de teus olhos, encontrei um porto seguro. Com meus lábios, maculei tua boca e, na ausência, é tal lembrança que me permite tê-la sempre viva em meu coração.

Visão :
Quando a beleza e a loucura se fundem em um único ser, podem causar, entre outros males, a Paixão.



Singularidade :
Na alva e terna cor de sua pele, reside meu desejo e minha admiração mais profundos. O eco suave de sua voz, preenche o vazio da minh’alma. E sua aparente fragilidade, oculta a força de quem tudo pode e tudo quer.
Sinto, em cada gesto, em cada movimento, em cada toque, a visível sensibilidade que seu corpo exala. Sensibilidade que a torna única num mundo de pessoas tão iguais.
Você é simplesmente você; é isto que a torna tão especial.

Musa Inspiradora :
Embriago-me em sua beleza, derrapo nas curvas de seu corpo, perco-me na profundidade de seus olhos, navego por seu rosto e desejo os seus lábios. Porém, você não me nota e, ainda, ativa meus desejos.
Estes fatos me devoram e tornam a sua presença, uma forte e doce dor de amor.

Saudade :
Um desejo... uma lágrima rola por meu rosto e uma pergunta ecoa no coração:
- Qual será a sua causa ?
A resposta é simples :
- Estava pensando em você !

Sanidade :
Eu queria ser o dono da chave da paixão, aquela que abriria, para mim, as portas do seu coração. Queria ter, da lua, o brilho e, do sol, o calor; Para iluminar suas noites e, nos dias, te dar meu amor. Queria ser um poeta de renome e fama, talvez assim, escreveria um poema que me pusesse em sua cama. Queria ser apenas eu, poeta e sonhador, para afogar-me em seus beijos e provar do seu amor.


Branca :
Afogo-me nas lágrimas de minha paixão (não correspondida) por você.
O mesmo tolo, a mesma história.....
Por que minha história não toma outros rumos ???

Coração :
Onde pode encontrar, o poeta, templo mais belo que no coração de sua amada ?

Flor :
Uma poesia escrita com amor, é como uma bela flor, de perfume e cor incomparáveis; Por mais que tentemos, não podemos deixar de percebê-la e queremos, muito, tocá-la.

Poesia :
Um momento de euforia. Estímulo dos sentimentos, sentidos à cada instante, na vida de um pobre poeta apaixonado.

Olhos :
Preferivelmente claros, azuis ou verdes, ou verde-azulados, ou azuis-esverdeados. Que me fitem. Somente a mim. E que sejam exclusivamente femininos.
* 1993.

POEMA.

POEMA.

A poesia é uma pintura que se move, uma música que voa e uma escultura que pensa.
1997.

O BRANCO.

O BRANCO.

Deu branco...
Bateu aquela vontade de escrever, a cabeça fervilha, as mãos comicham, mas deu branco.
O papel grita, à minha frente, de vontade de ser marcado. O lápis quase não consegue se manter parado, mas deu branco.
Tem idéia escapando por todos os lados e eu não consigo pegar nenhuma. São vocábulos voadores, neologismos dançantes, virgulas e pontos extra-dimensionais, mas deu branco.
Vastos reinos míticos passam ao meu redor. Incontáveis mundos fictícios explodem ao me ver. Mas deu branco.
Deuses emprestam suas penas. Titãs estendem pergaminhos. Anúbis “Hieróglifa”. Mas deu branco.
Janus me dá duas opções : O Branco ou o Preto. Baco estava embriagado demais para ajudar. Então Morfeu opinou. Mas deu branco.
Revirei minha “lata”, me pareceu enferrujada. Então busquei outras caixas, baús e cubos. Mas deu branco.
Sonhos, realidade, autocríticas, buscas, amores, paixões, lembranças, nada disso me ajudou. Então busquei livros. Mas deu branco.
Por fim, sem ter mais para onde correr, resolvi olhar esta folha em branco...
Em Branco ???
No final de tudo, o branco acabou dando em algo : Deu BRANCO.
Outubro de 2000.

VULTO.

VULTO.

Ainda não é noite, mas a luz do sol, já não se faz notar. O caminho está deserto. Eu estou sozinho !
Sombras, de tempos, passados e penumbras, de um suposto futuro, encobrem a visão do caminho à seguir.
Por sorte, ainda há uma trilha de rimas que, em outros tempos, inadvertidamente, deixei para me guiar. Afinal, este é um caminho que conheço muito bem.
Por este caminho, já emocionei muita gente, aborreci outros muitos, alegrei alguns amigos, homenageei entes queridos e amigos partidos, busquei respostas e criei algumas, declarei amores e eternizei paixões, voei, cai, rolei, parei e pensei, ou simplesmente, passei.
Mas, hoje, um vulto me segue por este caminho. Um vulto amórfico, formado por ódios, frustrações, medos e uma crescente ignorância tardia. este vulto parece querer me atrair para seu lado. Ele tenta me inspirar, mas de um modo todo inverso à tudo que já fiz. É como se uma barreira, invisível, rebatesse meus versos e pensamentos mais puros. Nada sai de mim, ou consegue seguir pelo caminho !
Me desespero ao ver minhas crias agonizando à beira do caminho. No último mês, nenhuma delas chegou muito longe. São versos capengas, rimas manetas e textos afônicos. Uma verdadeira UTI literária.
Espero e peço que esta fase de bloqueio literário venha a ser breve.
Janeiro de 2001

ALTO ANÁLISE.

ALTO ANÁLISE.

Um poeta de rua, busca um sonho. Vaga pelas praças. Trilha caminhos perdidos. Voa sobre prédios e casas. Navega pelos rios, lagos e mares. Enfrenta o tempo, ... o vento. Seca oceanos. Alaga desertos. Faz, do mundo, um roteiro perdido.
Um poeta de rua, constrói sua realidade. Edifica desejos. Molda vontades. Cria paixões. Planeja devaneios. Transforma o porvir. Modifica o certo. Recria o incerto. Faz, da vida, uma alegria sofrida.
Um poeta de rua, destrói seu próprio ego. Imagina o inimaginável. Busca o inalcançável. Pensa o impensável. Luta uma guerra perdida. Ama o indevido e deve à quem o ama. Carrega o peso de sí próprio, sem saber de sua força. Degrada seu corpo em prol da inspiração buscada. Lamenta suas vitórias e festeja as derrotas. Tranca-se em seu mundo e se torna prisioneiro de sí mesmo. Lança seus olhos ao infinito, mas se prende aos limites (auto-impostos). Faz de seu dom, sua maldição.
Um poeta de rua, é um tolo que sonha em ser um poeta do povo.
Março de 2002.

O QUARTO BRANCO.

O QUARTO BRANCO.

É domingo. Dia chuvoso, dia choroso...
Estou sozinho. Tenho às mãos, os fragmentos do que, um dia será meu livro.
O rádio toca SOUL. Tenho um copo de Vodka com limão. À minha frente, o tabuleiro de xadrez, numa partida inacabada.
Entre um movimento no tabuleiro e um gole de Vodka, escrevo uma, ou duas, linhas.
Tenho dormido mal e lembranças, do que não aconteceu, me incomodam. Apenas algo me é constante há dias : “ A imagem de um quarto branco, sem janelas, apenas com uma porta em uma das paredes e um quadro, pendurado, na parede oposta à porta.
No quadro, num vasto campo verde, um menino chora, de braços abertos, por algo que perdeu. Seu olhar fixo, fita um horizonte imaginário, infinitamente distante. Seus lábios parecem chamar por algo que não virá. Seu grito, inaudível, parece ser abafado pelo gesto de saudade, que mostra seu corpo.”
O álcool começa a se fixar em meu organismo e o jogo de xadrez começa a ficar simples demais.
De repente, me volta a visão do quadro :
“ O menino no quadro, se parece , muito, comigo (só que mais jovem) e o quarto se preenche com uma suave fragrância de almíscar.”
Almíscar ???... Uma fragrância animal, retirada de um veado. (É melhor cortar o álcool !).
“ O vasto campo verde parece ter ficado azul. Mudou de cor como se tivesse mudado de humor.” Típico de pessoas fortes de caráter, mas inconstantes e imprevisíveis.
Mudo o gênero musical; Raul Seixas parece mais apropriado para meu atual estado psico-físico.
“ O que terá perdido, o menino, em sua, aparente, tenra idade? Nesta idade, de valioso, só se perde o tempo.”
Terminei a partida de xadrez e ganhei de mim mesmo. Mas, afinal, qual a vantagem de ganhar de mim mesmo ?
“ Sem eu menos esperar, o vasto campo azul fica castanho-esverdeado. Me distanciei e percebi que o menino está em pé sobre, não um campo, mas sim um globo ocular.
De quem será este inconstante olhar sob mim ?
E se só vejo o olhar, como vou poder identificar o detentor deste inquisitor visto ?”
Meu braço esquerdo dói intensamente. É o típico sinal de extresses emocional. (Nada que um bom vinho não resolva...)
“ Cheio de dúvidas, olho o quarto mais uma vez. Saio do quarto e tranco a porta.
Tranco a porta, mas espero poder voltar aqui, literalmente, e desvendar os mistérios do quarto branco.
23 de junho de 2002.

GRAND CIRCUS BRASILIS.

GRAND CIRCUS BRASILIS.

Eis que o Brasil se fez um grande circo.
Completo. Pleno de alegria e esplendor. Com apresentador de nove dedos. Mágicos, alquimistas, acrobatas, equilibristas e contorcionistas. São contadores de estórias e fábulas, são criadores e criaturas.
Só me resta uma grande dúvida :
- Quem são os palhaços ?
- Quem somos os palhaços ???
20 de março de 2004
Neste blog, estarei colocando
meus contos, crônicas e poesias para a apreciação de todos que gostam de
literatura popular.
Ele será o porta de entrada para o universo dos meus mais loucos pensamentos.
É a oportunidade de mostrar o que penso fazer de melhor : Escrever.
É a porta de entrada para os meus delírios
literários.