O QUARTO BRANCO.
É domingo. Dia chuvoso, dia choroso...
Estou sozinho. Tenho às mãos, os fragmentos do que, um dia será meu livro.
O rádio toca SOUL. Tenho um copo de Vodka com limão. À minha frente, o tabuleiro de xadrez, numa partida inacabada.
Entre um movimento no tabuleiro e um gole de Vodka, escrevo uma, ou duas, linhas.
Tenho dormido mal e lembranças, do que não aconteceu, me incomodam. Apenas algo me é constante há dias : “ A imagem de um quarto branco, sem janelas, apenas com uma porta em uma das paredes e um quadro, pendurado, na parede oposta à porta.
No quadro, num vasto campo verde, um menino chora, de braços abertos, por algo que perdeu. Seu olhar fixo, fita um horizonte imaginário, infinitamente distante. Seus lábios parecem chamar por algo que não virá. Seu grito, inaudível, parece ser abafado pelo gesto de saudade, que mostra seu corpo.”
O álcool começa a se fixar em meu organismo e o jogo de xadrez começa a ficar simples demais.
De repente, me volta a visão do quadro :
“ O menino no quadro, se parece , muito, comigo (só que mais jovem) e o quarto se preenche com uma suave fragrância de almíscar.”
Almíscar ???... Uma fragrância animal, retirada de um veado. (É melhor cortar o álcool !).
“ O vasto campo verde parece ter ficado azul. Mudou de cor como se tivesse mudado de humor.” Típico de pessoas fortes de caráter, mas inconstantes e imprevisíveis.
Mudo o gênero musical; Raul Seixas parece mais apropriado para meu atual estado psico-físico.
“ O que terá perdido, o menino, em sua, aparente, tenra idade? Nesta idade, de valioso, só se perde o tempo.”
Terminei a partida de xadrez e ganhei de mim mesmo. Mas, afinal, qual a vantagem de ganhar de mim mesmo ?
“ Sem eu menos esperar, o vasto campo azul fica castanho-esverdeado. Me distanciei e percebi que o menino está em pé sobre, não um campo, mas sim um globo ocular.
De quem será este inconstante olhar sob mim ?
E se só vejo o olhar, como vou poder identificar o detentor deste inquisitor visto ?”
Meu braço esquerdo dói intensamente. É o típico sinal de extresses emocional. (Nada que um bom vinho não resolva...)
“ Cheio de dúvidas, olho o quarto mais uma vez. Saio do quarto e tranco a porta.
Tranco a porta, mas espero poder voltar aqui, literalmente, e desvendar os mistérios do quarto branco.
É domingo. Dia chuvoso, dia choroso...
Estou sozinho. Tenho às mãos, os fragmentos do que, um dia será meu livro.
O rádio toca SOUL. Tenho um copo de Vodka com limão. À minha frente, o tabuleiro de xadrez, numa partida inacabada.
Entre um movimento no tabuleiro e um gole de Vodka, escrevo uma, ou duas, linhas.
Tenho dormido mal e lembranças, do que não aconteceu, me incomodam. Apenas algo me é constante há dias : “ A imagem de um quarto branco, sem janelas, apenas com uma porta em uma das paredes e um quadro, pendurado, na parede oposta à porta.
No quadro, num vasto campo verde, um menino chora, de braços abertos, por algo que perdeu. Seu olhar fixo, fita um horizonte imaginário, infinitamente distante. Seus lábios parecem chamar por algo que não virá. Seu grito, inaudível, parece ser abafado pelo gesto de saudade, que mostra seu corpo.”
O álcool começa a se fixar em meu organismo e o jogo de xadrez começa a ficar simples demais.
De repente, me volta a visão do quadro :
“ O menino no quadro, se parece , muito, comigo (só que mais jovem) e o quarto se preenche com uma suave fragrância de almíscar.”
Almíscar ???... Uma fragrância animal, retirada de um veado. (É melhor cortar o álcool !).
“ O vasto campo verde parece ter ficado azul. Mudou de cor como se tivesse mudado de humor.” Típico de pessoas fortes de caráter, mas inconstantes e imprevisíveis.
Mudo o gênero musical; Raul Seixas parece mais apropriado para meu atual estado psico-físico.
“ O que terá perdido, o menino, em sua, aparente, tenra idade? Nesta idade, de valioso, só se perde o tempo.”
Terminei a partida de xadrez e ganhei de mim mesmo. Mas, afinal, qual a vantagem de ganhar de mim mesmo ?
“ Sem eu menos esperar, o vasto campo azul fica castanho-esverdeado. Me distanciei e percebi que o menino está em pé sobre, não um campo, mas sim um globo ocular.
De quem será este inconstante olhar sob mim ?
E se só vejo o olhar, como vou poder identificar o detentor deste inquisitor visto ?”
Meu braço esquerdo dói intensamente. É o típico sinal de extresses emocional. (Nada que um bom vinho não resolva...)
“ Cheio de dúvidas, olho o quarto mais uma vez. Saio do quarto e tranco a porta.
Tranco a porta, mas espero poder voltar aqui, literalmente, e desvendar os mistérios do quarto branco.
23 de junho de 2002.
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