domingo, 30 de março de 2008

FESTA DE QUINZE ANOS.

FESTA DE QUINZE ANOS.

Acho que já tinha idade suficiente para notar a intensa movimentação em minha casa; gente pra todo lado, garrafas entrando, batatas se precipitando nas panelas, farinha voando para um lado, ovos para o outro e gente que não acabava mais. Enquanto isso eu só esperava por ela. Não conseguia parar de pensar em como ela viria; “Será que ela viria a pé, a cavalo, de táxi? Talvez nem viesse... Não, ela teria de vir, pois há tempos que a venho convidando.”
Enquanto esperava, vi que um bolo se colocava sobre a mesa da copa e, sobre ele, duas velas folgadas se deitaram para descansar antes do trabalho. A primeira vela era magra como um palito e tinha um nariz como de tucano. A segunda era muito esquisita, tinha um penteado meio estranho, o cabelo era todo jogado para trás, o pescoço era longo e tinha um grande traseiro. E eu a esperava impaciente.
Chegou a hora há muito esperada, a porta da casa se esquivava para que pessoa alguma, nela colidisse e todos que entravam faziam questão de pegar em minhas mãos. E ela nada de chegar.
Alguém colocou umas músicas e eu esperava.
De repente, as lâmpadas e o aparelho de som resolveram fazer greve e as pessoas começaram a cantar e a atirar, rapidamente, uma mão contra a outra. E ela não chegava.
Alguns convidados me acharam com cara de carregador ou garoto de entregas e depositaram, sobre meus braços, pacotes de diversos tamanhos e formas e ela... nada.
Já estava cansado de esperar, quando houve uma evacuação total de minha casa. Eu pensei : “Será que eu fiz o que não devia?” Coloquei meu olfato para funcionar : “Não, eu não fiz.”
Então fui para o meu quarto sem saber o que fazer. Pensei em dormir, mas os pacotes já estavam acomodados na ama. Me virei para o espelho... e qual não foi a minha surpresa ao reparar alguns pelotinhos em meu rosto e bem abaixo da boca, um fiozinho negro. Então descobri que ela havia, finalmente, chegado : “A Juventude havia chegado e eu nem havia notado.”

Obs. : Crônica premiada com o 2º lugar – Concurso de Crônicas e Poesias em Comemoração aos 92 Anos de Fundação do Seminário Redentorista Santo Afonso de Aparecida – SP – Na Categoria CRÔNICA.
Agosto de 1990.

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